Mulheres de 50 a 70 anos participam de oficina inédita de música e tecnologia no Paraná
25/09/2026

Um grupo formado por mulheres entre 50 e 70 anos está aprendendo a unir canto, produção musical, gravação e ferramentas digitais no Musicou Lab, uma iniciativa disponível no núcleo Musicou Andirá, um programa de educação musical gratuito que oferece aulas para pessoas de todas as idades, promovendo o acesso democrático à música como ferramenta de transformação social, fortalecimento comunitário e desenvolvimento humano.
Idealizado e gerido pela Sustenidos Organização Social de Cultura, com patrocínio da CTG Brasil, a iniciativa, que é inédita no Paraná, se destaca por evidenciar que o aprendizado musical e tecnológico pode acontecer em qualquer fase da vida, aproximando diferentes gerações de ferramentas que hoje fazem parte do universo da criação e produção musical.
Reunindo exclusivamente mulheres de 50 a 70 anos, que encontram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos musicais ao mesmo tempo em que entram em contato com recursos contemporâneos de produção de áudio, o projeto é liderado pela professora e multi-instrumentista Letícia Menegasso, que possui experiência em canto coletivo, o trabalho desenvolvido em Andirá tem como ponto de partida a voz, explorada em diálogo com as possibilidades oferecidas pela tecnologia.
Ao longo das atividades, as alunas trabalham na construção de arranjos de canções caipiras, passando por diferentes etapas de uma produção musical, permitindo que as participantes acompanhem, na prática, como as vozes podem ser captadas, editadas, combinadas e transformadas na construção de um arranjo. Entre as técnicas apresentadas, estão gravação multipista, overdub e edição de áudio em estações de trabalho de áudio digital (DAW), além da manipulação de parâmetros como compressão e equalização para trabalhar os timbres das vozes.
Além disso, as participantes também entram em contato com conceitos relacionados aos diferentes tipos de microfone, cabos, conexões e balanceamento de sinais de linha, microfone e instrumentos, construindo uma compreensão básica de como funciona um ambiente de gravação.
Ao mesmo tempo, o conhecimento tecnológico caminha lado a lado com o desenvolvimento musical. As aulas abordam conteúdos como afinação, projeção e extensão vocal, escalas, intervalos e contraponto, fazendo da tecnologia uma aliada para compreender e experimentar conceitos musicais.

Cred Divulgação
Até mesmo a timeline do software de gravação passa a ser utilizada como uma forma contemporânea de registro e visualização musical. Com recursos como o piano roll, as alunas conseguem visualizar intervalos, duração das notas e distribuição das vozes, somando novas referências à aprendizagem tradicional da música.
Ao final do processo, a proposta é que as participantes tenham adquirido conhecimentos práticos e teóricos sobre produção musical, tecnologia aplicada à voz e elaboração de arranjos, além de autonomia inicial para utilizar recursos tecnológicos e softwares livres como ferramentas de estudo, criação e experimentação musical.
Um laboratório para experimentar, criar e compartilhar
O Musicou Lab foi concebido como um laboratório e estúdio musical dedicado a oficinas que aproximam música e tecnologia, produção e pós-produção de áudio, gravação e manipulação de materiais sonoros.
A estrutura permite desenvolver propostas pedagógicas que envolvem criação, estudo e exploração de timbres por meio da tecnologia, além de oferecer condições técnicas para transmissões ao vivo via streaming e promover vivências com produtores, artistas e profissionais convidados.
Mais do que disponibilizar equipamentos, a proposta é transformar o laboratório em um hub criativo e ponto de encontro, onde participantes, educadores e diferentes agentes musicais locais possam experimentar, trocar conhecimentos e produzir coletivamente, além de estabelecer contato com referências nacionais ligadas à música e à tecnologia.
No Musicou Andirá, essa proposta ganha um significado especial ao colocar mulheres de diferentes trajetórias diante de ferramentas contemporâneas de criação musical. Microfones, softwares, ondas sonoras e pistas de gravação passam, assim, a integrar um processo de descoberta que combina memória musical, repertório brasileiro, convivência e novos conhecimentos.
A Sustenidos Organização Social de Cultura é referência na concepção, implantação e gestão de políticas públicas na área cultural e já impactou a vida de mais de 2 milhões de pessoas em 25 anos de atuação. Eleita pelo prêmio Melhores ONGs a Melhor ONG de Cultura em 2018 e uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2022, atualmente é gestora do Conservatório de Música e Teatro de Tatuí e do Musicou, além do projeto especial MOVE, do festival Big Bang e do Concurso de Canto Lírico Joaquina Lapinha.
De 2004 a 2021, foi gestora do Projeto Guri, maior programa sociocultural brasileiro. Entre 2021 e 2026, foi gestora do Complexo Theatro Municipal de São Paulo.
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