‘Eternos’, uma obra épica odiada pelos nerdolas conservadores

13/01/2022

Cred imagem - Disney

Quando o aguardado “Eternos” chegou aos cinemas de todo o mundo no último ano, a produção recebeu inúmeras críticas, sendo em sua maioria, negativas.

O longa, que tem a direção de Chloé Zhao, ganhadora do Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção por “Nomadland”, conta uma das histórias mais ricas do Universo Cinematográfico da Marvel. Os Eternos são uma raça de seres imortais, que viveram durante a antiguidade da Terra, há sete mil anos, moldando a história da humanidade e suas civilizações enquanto batalhavam contra os Deviantes, criaturas colocadas no planeta para destruir os humanos.

Nos cinemas, o grupo de imortais ganhou vida com um grande elenco, reunindo Angelina Jolie (Thena), Salma Hayek (Ajak), Gemma Chan (Sersei), Richard Madden (Ikaris), Barry Kreoghan (Druig), Brian Tyree Henry (Phastos), Kumail Nanjiani (Kingo), Ma Dong-seok (Gilgamesh), Lauren Ridloff (Makkari) e Lia McHugh (Sprite). Mas apesar dos nomes de peso, o longa recebeu comentários pesados por ser uma produção que não segue o mesmo ritmo das tantas outras da Marvel.

Vamos entender o por quê?

Eternos” entrega uma obra épica, rodeada de mitologia e com uma fotografia de tirar o fôlego. O excesso de críticas se dá, principalmente, pela representatividade, com o primeiro herói gay do MCU nas telonas (Phastos) e a primeira heroína surda (Makkari), despertando a fúria dos “nerdolas” conservadores, que acreditam que representatividade é "lacração". Essa onda de deslegitimação das minorias, infelizmente, acaba por afetar o desempenho da produção nas bilheterias, mas não tira sua beleza ou muito menos o seu conteúdo.

O longa trouxe ainda o primeiro beijo “gay” da Marvel nos cinemas, assim como uma cena de sexo entre Sersei e Ikaris, mostrando a intensidade do amor que sentiam um pelo outro e que atravessou séculos.

Diferente das outras produções de super-heróis, “Eternos” não se preocupar em manter o ritmo frenético de ação, com explosões, demonstrações de força e outros clichês que fazem com que esses tipos de filme não sejam considerados nada mais além do que um grande show de efeitos especiais. A diretora Chloé Zhoe fez questão de quebrar esse padrão e valorizar o artístico, fazendo a utilização de câmeras que não se movimentam bruscamente e prezam pela imersão do público, ganhando um tom poético e de grandiosidade no longa, passando por momentos históricos e que moldaram a civilização, até os dias atuais.

“Eu queria mostrar o coração do MCU, que é o humor dos filmes, o que faz você se identificar com os heróis. Também quis manter a tradição com as incríveis cenas de ação. Queríamos que os poderes de cada eterno refletissem suas roupas e suas individualidades, mostrando que eles vêm da mesma fonte, mas cada um com sua peculiaridade”, comenta a diretora em uma das entrevistas sobre o filme.

"Nós temos cinco pensadores e cinco lutadores nos Eternos. Tentamos pensar em alguns dos papéis tradicionais nas sociedades ao longo das gerações, como guerreiros, lutadores e gladiadores, mas também os curandeiros, inventores e sacerdotes", explica.

Não se intimide por críticas que tiram toda a beleza e a visão artística de “Eternos”. O longa é uma das melhores produções da Marvel, por apostar em um público maduro, que entende que heróis não são resumidos apenas a explosões e perseguições, mas, sim, por toda sua complexidade e processo de enriquecimento de caráter e coração.

Eternos” está disponível no Disney+.